0

Proteste: Subscrever Certificados de Aforro nos CTT

PUB

CTT poupam um milhão com fim de metade da frota para uso pessoal

A taxa líquida dos Certificados de Aforro mantém-se em 2,3%. Fomos a seis balcões dos Correios testar a subscrição, mas os funcionários deram primazia aos seguros da Fidelidade.

Seis balcões em Lisboa

Visitámos seis balcões dos Correios, em Lisboa, escolhidos aleatoriamente: Oriente, Avenida de Roma, Avenida da Liberdade, Avenida Casal Ribeiro, Rua Filipe Folque e no El Corte Inglés. O objetivo do teste era comparar e analisar a qualidade da informação prestada sobre os Certificados de Aforro, o interesse do produto face a alternativas e em que medida podem os clientes ser afetados pela privatização dos Correios.

“Tenho cerca de 5000 euros para investir e não gostaria de correr riscos. Pensei em aplicar nos produtos de dívida do Estado”. Era assim que o nosso cliente mistério se apresentava. Mas levava ainda mais cinco questões no bolso: “O que preciso fazer para subscrever? Têm algum risco? Com a privatização dos Correios, os Certificados vão ter alguma alteração? Tem alguma ficha com a informação dos Certificados para poder ler em casa? E Obrigações do Tesouro também posso subscrever?”

Confusões, dúvidas e pouco material de apoio foram as falhas detetadas no aconselhamento ao balcão dos Correios.

 

Certificados postos de lado

Em todos eles, a recomendação e destaque foi para os seguros de capitalização da Fidelidade, nomeadamente oPostal Valor Mais e o Postal Valor Crescente. No balcão da Rua Filipe Folque: “Aplicações do Estado? Porque não as nossas?”.

No Oriente, apesar do cliente ter tirado a senha das aplicações financeiras, não evitou uma espera de meia hora até ser atendido. Após a apresentação da situação, o funcionário refere que é melhor explicar o produto com recurso a uma simulação. O funcionário regressa com uma simulação, mas referente a dois seguros de capitalização. O funcionário salienta o capital garantido dos seguros mas, ao mostrar a simulação, no final do primeiro ano depara-se com um capital inferior ao aplicado e não consegue explicar o motivo. “Deve haver algum erro”, diz ainda, e vai pedir ajuda a um colega. Regressa justificando que se deve à aplicação da comissão de resgate antecipado.

Em relação à primeira pergunta (o que era necessário para subscrever Certificados?), foram claros: bilhete de identidade ou cartão do cidadão, cartão de contribuinte e número de conta bancária (NIB) para a transferência do montante no final do prazo dos Certificados (10 anos).

 

Não há ficha técnica dos Certificados

O que salta à vista no atendimento é uma enorme diferença na apresentação destes dois produtos financeiros. Seja na iniciativa comercial por parte do funcionário, seja no material disponibilizado para dar ao cliente. Enquanto nos seguros de capitalização são facultadas fichas técnicas com simulações de rendimento e um resumo das características do produto, nos Certificados de Aforro é apenas facultada uma folha com uma simulação e, em alguns casos, era facultado o formulário de abertura da Conta Aforro no IGCP. E, quando perguntámos a que se devia a diferença de rendimento apresentada para os primeiros anos (3,2% até final de 2016) e os anos seguintes (cerca de 1,4% bruto), apenas disseram que “o produto está definido assim”. As explicações eram parcas e, por vezes, pouco precisas.

 

Privatização dos Correios não afeta

Uma das perguntas sobre a qual tínhamos alguma expectativa sobre as respostas era precisamente se, com a privatização dos Correios, a subscrição de Certificados seria afetada. Mas, em todos os balcões do teste foi respondido de forma clara: a subscrição de Certificados de Aforro não será afetada pelo processo de privatização, pois os Correios são apenas a entidade que comercializa.

“Se os Correios deixassem de vender os Certificados, caberia ao Ministério da Finanças encontrar outra entidade distribuidora”, foi referido na estação da Avenida de Roma.

 

Risco acima dos 100 mil euros?

Em relação à segurança dos produtos comercializados nos Correios foram feitas algumas confusões. Tanto na estação do Oriente, como na Avenida da Liberdade e na Avenida da Roma, foi referido que os seguros são “mesmo garantidos” e os Certificados de Aforro são apenas “garantidos pelo Estado”. Na Avenida da Liberdade foi dito até que “os seguros são garantidos pelos Correios”.

Na estação dos Correios da Avenida Casal Ribeiro foi referido que “os Certificados não têm risco a menos que a situação atual piore muito para o Estado”. Incorretamente referiram que o risco seria para aplicações superiores a 100 mil euros, fazendo confusão com o fundo de garantia dos depósitos.

E na Avenida de Roma ouvimos esta frase em relação ao Certificados de Aforro: “Aparentemente são seguros. Aparentemente…”, deixando no ar a incerteza.

 

E Obrigações do Tesouro?

Quanto à última pergunta (se era possível subscrever Obrigações do Tesouro), alguns funcionários confundiram com Certificados do Tesouro, dizendo que era um bom produto, mas já não estava em subscrição.

 

Taxa mantém-se em 2,3%

Em outubro, a taxa dos Certificados de Aforro é de 3,189% bruta. Em termos líquidos e arredondados, mantém-se em 2,3% líquida. Desde o início do ano e até final de agosto, foram subscritos 843 milhões de euros e resgatados 593 milhões de euros. Ou seja, há um saldo positivo de 250 milhões de euros.

Fonte: Deco Proteste

Ironia d'Estado

O Ironia de Estado é um repositório com informações diárias sobre as misérias que acontecem em Portugal. Destacamos noticias que afectam o quotidiano dos Portugueses a nível social e económico para evidenciar más decisões dos governantes.

Diga o que pensa disto

Tem algo a dizer sobre isto? Então comente