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FMI arrasa premissas do OE2015 e diz que défice será 3,4%

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Obrigado_FMI

O défice público português não será nem 2,7%, como diz Bruxelas, nem 3,3%, como prevê a Comissão Europeia, mas sim 3,4% do produto interno bruto (PIB), indica o primeiro relatório de avaliação pós programa, hoje divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O número hoje avançado colide frontalmente com o discurso algo vitorioso do Governo, que faz de 2015 um ano histórico para Portugal porque, garante, o défice irá ficar, finalmente, abaixo dos 3%, a regra mãe do Pacto de Estabilidade.

No documento, que é muito duro para o Governo, acusando-o, entre outras coisas, de estar a facilitar nas reformas estruturais e no ajustamento orçamental (devido à “proximidade de eleições”), o FMI diz que “o caminho orçamental em 2015 está assente em projeções macroeconómicas e hipóteses de receita otimistas”.

Ainda antes de o documento ser divulgado (está disponível desde ontem, mas com embargo até às 15h de hoje), Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro, já estava a tentar controlar danos. No Parlamento, disse que o FMI “vai evidentemente apontar para uma realidade que não existe, que é a da dúvida se nós temos condições para atingir um objetivo que atingimos”.

A realidade do Fundo é esta: “a avaliação da equipa do FMI ao Orçamento de 2015 aponta para um défice marcadamente superior de 3,4% do PIB comparando com os 2,7% das autoridades, valor que é consistente com projeções macro mais conservadoras e, em menor grau, a hipóteses de receita diferentes”.

O cenário macro do FMI para este ano aponta para um crescimento de 1,2%, quando o Governo aposta em 1,5%. Curiosamente, o desemprego até sai melhor no exercício de Washington: 12,7%. A projeção do Executivo diz 13,4%.

Para assegurar o objetivo, o FMI diz que é preciso cortar mais na despesa e de forma permanente, nomeadamente nos salários públicos e nas pensões, para mais tarde reduzir impostos. As reduções fiscais no âmbito do IRC e do IRS são “bem-vindas”, mas “parecem ser prematuras”, tendo em conta os riscos sobre o OE, sejam internos, sejam externos.

Fonte: Dinheiro Vivo

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