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Casa Pia: Ministério Público arquiva queixas contra testemunha Francisco Guerra

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Tudo arquivado. O Ministério Público de Cascais resolveu meter na gaveta as quatro queixas-crime existentes contra Francisco Guerra, testemunha e alegada vítima da rede de pedofilia que operava na Casa Pia de Lisboa. A principal lesada é Cristina F., a ex-namorada de outra testemunha do processo, Ilídio Marques, que ficou sem um carro e continua a pagá-lo. A história remonta a 2009, quando Francisco Guerra comprou o carro a Cristina, um Ibiza, com a condição de continuar a pagar as prestações em dívida, algo que nunca fez. Pior, usou o carro como veículo de fuga num assalto a uma loja de artigos chineses e Cristina chegou a ser suspeita do crime, porque a viatura se encontrava em seu nome.

Tudo seria esclarecido, mas a viatura foi apreendida e, apesar de haver uma ordem judicial no sentido de a viatura ser devolvida a Cristina, o Ibiza acabou por continuar nas mãos de Francisco Guerra. Nunca o devolveu à legítima proprietária, que se queixou às autoridades, enquanto continuava a pagar as prestações mensais de um carro que não tinha. Ilídio Marques, por solidariedade com a ex-namorada, chegou a pressionar Francisco Guerra e a própria Casa Pia, alegando que se Francisco não resolvesse o problema iria contar toda a verdade sobre o mediático processo, ou seja, que era tudo mentira e que nenhum dos arguidos era culpado. Através de Olga Miralto, ex-assessora de Catalina Pestana e que acompanhou a par e passo o julgamento, chegou-se a um entendimento.

O NOTÍCIAS SEM CENSURA teve acesso a duas conversas telefónicas entre Ilídio e Olga Miralto, onde é agendado o encontro e onde se percebe que Francisco Guerra é “perito” em mentir. Isso ficou, aliás, amplamente demonstrado em julgamento e no livro que escreveu “Uma dor silenciosa”, onde são relatados episódios que nunca aconteceram na realidade ou que estão totalmente deturpados. Nas mesmas conversas é possível também ouvir – que aqui reproduzimos, e que estão na posse da Procuradoria-Geral da República -, a preocupação de Olga Miralto em relação ao facto de Ilídio Marques poder falar com alguém sobre o processo. O que não se entende é o motivo porque Olga Miralto, que nada tinha a ver com as testemunhas/vítimas e numa altura em que o julgamento tinha terminado, existindo uma sentença, liderou a mediação de um conflito entre indivíduos que já não eram sequer da Casa Pia.

Cristina F,, essa está inconsolável e nem acredita no que lhe está a acontecer: “Comprei um carro com sacrifício e vendi-o porque estava com dificuldades em aguentar as prestações. Afinal, o Francisco nunca pagou nenhuma e eu tenho estado a suportar tudo. A única coisa que queria era que, ao menos, ele me devolvesse o carro. Esta semana fui ao Tribunal de Cascais saber em que ponto da situação estava o processo e disseram-me que tinha sido tudo arquivado. Ou seja, ele não vai ter de me devolver o carro nem pagar as prestações. Incrível. Estou a pagar uma coisa de que uma pessoa perfeitamente identificada se apropriou e eu é que tenho de me aguentar com as prestações.”

Além de ter visto o processo em relação ao carro arquivado, o Ministério Público de Cascais também arquivou a queixa do assalto à loja dos chineses que Francisco praticou, sendo devidamente identificado pela vítima do crime, uma jovem que foi ameaçada com uma faca, bem como as queixas por ter passado indevidamente em portagens e de um roubo de combustível (abasteceu e fugiu sem pagar numa estação de serviço). Cristina F. está notificada pela Brisa para pagar centenas de euros em portagens, sendo que quem passou por elas foi Francisco Guerra.

“Não entendo como é que é possível arquivas queixas contra uma pessoa, sendo que existem provas concretas da prática dos crimes por ela cometidos. Pelos vistos, ser testemunha/vítima da Casa Pia também dá carta branca para a prática de crimes”, rematou, ao NOTÍCIAS SEM CENSURA, a ex-namorada de Ilídio Marques.

por: Carlos Tomás

Via: Notícias Sem Censura

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